Gandolfo: A classificação das afasias em questão: lugares de institucionalização e de questionamento

O objetivo deste trabalho é problematizar as classificações das afasias
de duas maneiras: 1) analisando a vigência da semiologia neurolingüística e
suas implicações práticas; 2) avaliando lugares institucionais de preservação e 
questionamento da classificação das afasias sendo eles: a academia e clínica.
O objetivo é entender sua vigência, a despeito das refutações de várias ordens
e de várias evidências empíricas que a questionam. Faz parte deste trabalho
colocar em foco os limites e alcances do método clínico, em relação ao
entendimento teórico e à conduta terapêutica no campo da afasiologia.
Assim, tendo em vista o discurso destes dois ambientes, o da academia
e o da prática clínica (o metadiscurso científico clínico sobre a classificação),
verificamos como é que uma lingüística não estruturalista, ou pós-
estruturalista, tem se comportado em relação a semiologia das afasias.
Admitindo que a teoria sócio-cognitiva é a que vai de acordo com a concepção
de linguagem que considera a relação da língua e sua exterioridade como um
fenômeno em construção, as bases explicativas dos fenômenos lingüísticos
mudam e, consequentemente, muda a maneira de fazer ciência, o movimento
das teorias das idéias, como, também, o método científico utilizado para se
chegar a uma classificação das afasias de modo que, fazer ciência passa a se
fundamentar em outras bases. 

Read more...

Michel Foucault: O corpo utópico (1966)

Página/12, 29-10-2010. Tradução de Cepat, para o IHU.

Basta eu acordar, que não posso escapar deste lugar que Proust [A recuperação do corpo no processo do acordar é um tema recorrente na obra de Marcel Proust – Nota da Redação], docemente, ansiosamente, ocupa uma vez mais em cada despertar. Não que me prenda ao lugar – porque depois de tudo eu posso não apenas mexer, andar por aí, mas posso movimentá-lo, removê-lo, mudá-lo de lugar –, mas somente por isso: não posso me deslocar sem ele. Não posso deixá-lo onde está para ir a outro lugar. Posso ir até o fim do mundo, posso me esconder, de manhã, debaixo das cobertas, encolher o máximo possível, posso deixar-me queimar ao sol na praia, mas o corpo sempre estará onde eu estou. Ele está aqui, irreparavelmente, nunca em outro lugar. Meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que nunca está sob outro céu, é o lugar absoluto, o pequeno fragmento de espaço com o qual, em sentido estrito, eu me corporizo.

Read more...

Premebida: Estudos sociais em ciência e tecnologia e suas distintas abordagens

Esta breve introdução aos Estudos Sociais em Ciência e Tecnologia (ESCT)
propõe expor os temas mais correntes e as distintas abordagens teóricas que fa-
zem parte deste campo ainda novo de pesquisa. Busca-se fornecer um painel das
disputas no exterior do campo, entre sociólogos e epistemólogos, e, no interior do
campo, entre as distintas perspectivas sobre ciência e tecnologia que hoje ocupam
sociólogos, antropólogos e cientistas políticos na composição deste rico cenário
de pesquisa social

http://www.scielo.br/pdf/soc/v13n26/03.pdf

Read more...

Rogers: A Brief Introduction to Distributed Cognition

Distributed Cognition  is a hybrid approach  to studying all aspects of cognition, from a cognitive, social and organisational perspective. The most well known level of analysis is to account for complex socially distributed cognitive activities, of which a diversity of technological artefacts and other tools and representations are an indispensable part.

http://mcs.open.ac.uk/yr258/papers/dcog/dcog-brief-intro.pdf

Read more...

Brincando com a linguagem e criando sentidos ou cognição distribuída e emergência da linguagem

source: http://www.multiciencia.unicamp.br/art06_3.htm 

Edson Françozo - Instituto de Estudos da Linguagem (UNICAMP).
Maria Luiza Cunha Lima - Universidade do Vale do Rio Verde de Três Corações (UNINCOR)
Orlando Bisacchi Coelho
- Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), com apoio da FAEP.


Resumo
Nosso interesse, neste texto, é mostrar alternativas teóricas e metodológicas às concepções tradicionais do sentido das palavras. Habitualmente, o sentido das palavras é obtido a partir de um conjunto básico de informações depositado na memória individual de cada falante e é por ele internamente manipulado de maneira autônoma. Experimentos recentes em robótica, vida artificial e etnografia de sistemas cognitivos mostram como se pode estudar o sentido das palavras como resultado de uma construção entre agentes que cooperam e interagem. O sentido, portanto, passa a ser visto como um fenômeno situado, distribuído e emergente.


Desde o final da década de 1990, Luc Steels (um pesquisador belga) e seus colaboradores vêm desenvolvendo interessantes experimentos com robôs. O objetivo é o de fazer com que um conjunto de robôs, cada um deles dotado de um sistema perceptual simples e igual para todos, fosse capaz de desenvolver, de maneira coordenada, um conjunto de representações comuns sobre o meio onde “vivem”, de tal forma que pudessem estabelecer comunicação e realizar tarefas conjuntamente. A expectativa é a de que essas populações de robôs pudessem desenvolver, adquirir, um sistema de representações comparável à linguagem humana.
Um dos experimentos mais interessantes foi o chamado de “ Talking Heads ” (ver Steels 2000). Nele, cada robô consistia em uma câmera (de vídeo) móvel e um programa de computador capaz de gerar uma seqüência sonora (uma “palavra”) de forma aleatória a partir de um repertório de sílabas pré-gravadas; além disso, cada robô era capaz de “perceber” emissões sonoras. Um par desses robôs era colocado frente a um quadro, onde estavam dispostas figuras geométricas de cores e tamanhos variados (ver Figura 1). A cada turno interacional, um robô assumia o papel de “falante” e o outro o papel de “ouvinte”. O robô falante escolhia, aleatoriamente, uma das figuras do quadro e, nos primeiros turnos, emitia um som – um “nome” – também aleatoriamente gerado. O robô ouvinte movia sua câmera (sua “cabeça”, ver Figura 2) de forma a focalizar uma das figuras no quadro. Isso equivalia a apontar para ela, estabelecendo um referente para a “palavra” ouvida, e assim mostrando sua compreensão. O robô falante confirmava, também verbalmente, se o ouvinte havia feito uma escolha correta ou não. O sucesso ou fracasso, em cada turno interacional, era armazenado na memória de ambos os robôs.
Inicialmente, o grau de acerto entre os pares de robôs era muito baixo, correspondendo a um nível estatisticamente aleatório. Com a realização de numerosos turnos interacionais, porém, o grau de concordância entre eles aumentava muito; isto é, eles tendiam a usar os mesmos sons – “as mesmas palavras” – para designar os mesmos objetos no quadro. Mas, mais importante do que o fato de os robôs concordarem sobre as palavras, uma categorização dos objetos no quadro também era criada. Vejamos um exemplo (hipotético). Imaginemos que os robôs haviam concordado em chamar um objeto quadrado vermelho pequeno de wabaku . A quê a palavra wabaku refere-se? A objetos quadrados? Vermelhos? Pequenos? Isto é, não havia concordância prévia sobre as categorias que poderiam ser postuladas como organizadoras do mundo percebido pelos robôs; elas não estavam, portanto, predefinidas, não eram dadas de antemão. Imaginemos que o experimento continua e, em seguida, um círculo vermelho grande também é chamado de wabaku . Aos poucos, a referência de wabaku pode ir modificando-se, estreitando-se até tornar-se a cor vermelha. Em resumo, os itens lexicais, a referência e a categorização do mundo desenvolvem-se simultaneamente ao longo do experimento.
Muitos robôs foram construídos e colocados a interagir, em pares, frente a quadros distintos. Depois de um determinando tempo interagindo em díades, os pares eram desfeitos, e novos pares eram criados, pela recombinação de robôs (que mantinham a memória de suas experiências interacionais anteriores). Pares assim constituídos interagiam em diversos locais do mundo (Paris, Bruxelas, Hong Kong, Nova Iorque, Tóquio, por exemplo) e, às vezes, quando recombinados, eram transferidos de local.
Com o passar do tempo, alguns robôs eram desativados (isto é, “morriam”), enquanto novos robôs eram gerados e introduzidos em comunidades que já exibiam um léxico desenvolvido. Uma parte dessa tarefa era realizada pelo público que participava voluntariamente do experimento através da Internet. Ao final de quatro meses, uma população estável de cerca de 2.000 robôs havia criado um léxico de 8.000 palavras, correspondendo a 500 conceitos. O fato de haver essa diferença entre número de palavras e conceitos nos permite caracterizar esse léxico como exibindo sinonímia e polissemia, tal qual a linguagem humana.
Segundo Steels (Steels et al. 2002), o sucesso do experimento “Talking Heads” decorre de uma dinâmica que permite a auto-organização de um léxico. Essa dinâmica se baseia no estabelecimento de um processo de realimentação positiva entre o uso de uma determinada forma lexical e o sucesso comunicativo encontrado ao usá-la, já que o sentido das palavras é estabelecido através da negociação, na linguagem, entre os agentes. Steels aponta um conjunto de fatores que se mostraram cruciais para o sucesso do experimento, e especula que esses mesmos fatores podem ter desempenhado um papel crucial no surgimento do léxico humano. Alguns desses fatores de sucesso são internos à arquitetura dos agentes, outros se referem à dinâmica grupal e ao meio ambiente em que os agentes operam. Entre os fatores que se mostraram essenciais para o sucesso do experimento temos:
•  Os agentes devem ter a possibilidade e o desejo de participarem de atividades cooperativas.

•  Além de poderem se comunicar verbalmente, os agentes devem ter, em paralelo, uma outra forma de se comunicarem (via visão, como no experimento ou, por exemplo, via ostensão) que seja confiável.
•  Como o estabelecimento de conceitos precede a verbalização, os agentes devem ter uma forma de adquirir conceitos a partir do contexto partilhado. O processo de formação de conceitos deve se basear em aparatos sensoriais e formas de representar conceitos similares em toda a população de agentes. O número de conceitos que podem surgir a partir de uma dada situação deve ser suficientemente restrito de modo a permitir que as conceituações desenvolvidas por cada agente, na situação, sejam similares.
•  Os agentes devem ter como reconhecer as formas lexicais e reproduzi-las.

•  Os agentes devem ter como descobrir e usar as associações mais fortes que se estabelecem (em ambas as direções) entre palavras e sentidos.
•  De modo a garantir um número satisfatório de interações entre os agentes, a população deve ser suficientemente estável e seu tamanho inicial não deve ser grande demais.
•  O ambiente, tal como percebido através do aparato perceptual dos agentes, deve ser estável o bastante e deve oferecer uma parcela de situações perceptualmente simples.
Ele também assinala alguns fatores que não se mostraram necessários – na verdade, não foram incorporados no experimento, por decisão de projeto, de modo a demonstrar que não são essenciais ao surgimento de um léxico:
•  A preexistência de uma teoria da mente dos outros agentes (pelo menos para o tipo de jogo de linguagem que foi usado neste experimento).
•  A preexistência de um conjunto de conceitos partilhado entre os vários agentes. Na verdade, tanto os conceitos como a linguagem emergem em paralelo e de forma interativa, no experimento.
•  Telepatia: os agentes não têm nenhuma forma de conhecer, a não ser pela linguagem, os sentidos que os outros agentes querem transmitir.
•  Controle centralizado da evolução da linguagem e consciência global, por parte dos agentes, da linguagem.
•  Coerência total: conceitos e léxico individuais variam de agente para agente; e o léxico é polissêmico.

***
Esse tipo de experimento é parte das investigações científicas modernas sobre a origem da linguagem. Em particular, esse experimento situa-se no campo conhecido como Vida Artificial (Artificial Life; ver Langton 1995) e tem (a) como hipótese específica que a linguagem é um sistema adaptativo complexo e (b) como metodologia a construção de sistemas artificiais destinados a desenvolver e testar teorias.
Qual a concepção de sistema cognitivo e de linguagem que informa trabalhos como esse? Para esboçar uma resposta a essa pergunta, vamos inicialmente examinar como, a partir dos estudos lingüísticos, pode-se conceber a conexão entre as palavras e seus sentidos. Facilmente visível no experimento acima relatado, a conexão entre palavras e sentidos tem um lado partilhado e distribuído – afinal, tratou-se de milhares de robôs, em comunidade. É o que trataremos a seguir.

Como as palavras adquirem seu sentido?
Como as palavras adquirem seu sentido? A pergunta é clássica e recorrente, e as respostas não são muitas. Na maioria das propostas, o sentido é visto como uma relação de correspondência entre propriedades do mundo e palavras. Para alguns, existe um conjunto de traços que, combinados, determinam o sentido de cada uma e de todas as palavras. Para outros, o sentido das palavras é indecomponível, e corresponde a todas as entidades que podem ser designadas por aquela palavra. O tipo de representação envolvido, em ambos os casos, está restrito a símbolos estáveis e discretos passíveis de manipulação serial por regras explícitas. Ou seja, o que se combina para formar unidades maiores são, obrigatoriamente, unidades simples, de significado bem definido e estático. Esse processo é o da manipulação de símbolos, seguindo a inspiração do modelo computacional clássico da mente.
Estas concepções têm dificuldades em dar conta de inúmeras instâncias em que é visível o aspecto criativo e plástico do sentido (ver, e.g., Clark 1996, Chafe 1994, Mondada & Dubois 1995). Por exemplo, Clark (1992) analisa o que ele chama de nonce sense , o fenômeno comum de uma palavra adquirir um sentido novo específico para um determinado contexto, e que possivelmente não se repetirá. Por exemplo, se um fotógrafo lhe diz “Faça um Napoleão para a câmera” , é muito provável que você assuma uma determinada pose para a foto, calcada na conhecida pose do imperador francês. Você só poderia ter assumido a pose requerida se tivesse ativado seus conhecimentos sobre Napoleão, em combinação com a situação em que o pedido fora feito, i.e., possivelmente a de um estúdio fotográfico (envolvendo retratos, poses, etc.). Quer dizer, o sentido de Napoleão como um determinado tipo de pose fotográfica não preexistia fixamente como parte da representação lexical desse nome; mais provavelmente, ele é estabelecido entre os participantes de uma interação específica. Um outro exemplo é o da já clássica ilusão semântica – casos em que não é facilmente perceptível a existência de erro factual em perguntas como “Quantos animais Moisés levou para a arca?”. Neste caso, a interpretação de Moisés certamente não recorreu a qualquer representação lexical determinada por eventuais conhecimentos históricos relativos apenas a Moisés – ao contrário, esses conhecimentos são substituídos, nessa situação, por conhecimentos mais genéricos sobre a história bíblica. Se as representações fossem estáveis e discretas, era de se esperar que, em ambos os casos, a representação acessada por cada participante da conversação fosse exatamente e sempre a mesma. Obviamente, esse não é o caso.
De modo geral, a dificuldade de explicar exemplos como os acima estão associadas à dificuldade das concepções clássicas em lidar com um objeto mutável, dinâmico e que se esquiva da axiomatização. Nas concepções alternativas, o sentido das palavras não é imanente a elas, mas se constitui no uso e nas histórias interativas onde elas aparecem (Clark, 1996). A criação de sentido na linguagem é uma atividade negociada, fruto da co-construção que nasce da interação entre sujeitos. Ou seja, o sentido não é imanente à relação entre as palavras e as coisas, mas surge de uma negociação necessária e incontornável. As relações de sentido não dependem, essencialmente, de um conjunto de características necessárias e suficientes que as licenciem. O uso de um item para designar um elemento do mundo depende, sempre, de um acordo entre os agentes.
Assim como as concepções de sentido como representações estáticas e discretas implicam uma noção de computação clássica e uma concepção de sistema cognitivo correspondente, as concepções de sentido como construção situada e partilhada entre agentes implica noções de computação e cognição diferentes. Vários esforços têm sido desenvolvidos para responder a essas demandas. Entre eles temos o Conexionismo (também conhecido como Redes Neurais; ver Elman et al. 1996 e Bechtel & Abrahamsen 2002), a Vida Artificial ( ALife ; ver Langton 1995) e as abordagens baseadas em Sistemas Dinâmicos (ver Port & van Gelder 1995).
O que essas várias abordagens cognitivas distintas têm em comum é exatamente a negação do simbólico como o nível correto para descrição dos processos cognitivos. Abrindo mão da estabilidade do símbolo, a cognição passa a ser concebida como processos que ocorrem de forma dinâmica, em que o tempo é essencial (Port & van Gelder 1995). São características centrais de sistemas cognitivos dessa ordem (a) serem auto-organizados, (b) adaptativos e (c) exibirem propriedades, configurações ou estruturas emergentes. Por exemplo, no caso de sistemas conexionistas, o processamento se dá pela alteração de um conjunto de padrões de ativação na rede ao longo de um processo de aprendizado. Num sistema conexionista, apresenta-se à rede um conjunto de exemplos extraídos do meio ambiente. A rede infere, da história de sua interação com estes exemplos, características relevantes que alteram as configurações internas da própria rede e lhe permitem, de modo adaptativo, aprender a desempenhar uma determinada tarefa.
A configuração final da rede emerge do processo de aprendizagem. Diz-se que um sistema complexo como este – um sistema composto de múltiplas entidades interagindo de forma não-linear – apresenta uma propriedade emergente quando esta é causada pela interação, de acordo com a dinâmica do sistema, de fatores de um nível inferior de análise, nenhum dos quais pode explicar o surgimento daquela propriedade. Um bom exemplo de emergência é apresentado por D'Arcy Thompson (apud Elman et al., 1996). A forma hexagonal do favo das colméias de abelhas não decorre de nenhum plano prévio que implica na escolha dessa forma. O que ocorre é que o trabalho de cada abelha, para maximizar a área do favo que está construindo, a leva a tentar construir uma forma circular. Contudo, ao redor de um círculo só é possível colocar seis outros círculos do mesmo tamanho – neste caso, outros favos sendo construídos por outras abelhas. As forças físicas (tensão superficial) interagem para deformar as esferas, levando-as a assumir a forma de hexágonos (veja a Figura 3). Não é “intenção” de qualquer abelha a construção de hexágonos. Entretanto, dada a interação entre as ações autônomas das abelhas e as restrições impostas pelo mundo físico, o hexágono é a única possibilidade resultante. O hexágono emerge.
Portanto, sistemas cognitivos dessa natureza permitem enxergar a relação entre palavras e seus sentidos como emergente do uso compartilhado da língua pelos agentes ao longo de uma história de interações (Clark 1996; Elman no prelo).
A análise de um fenômeno emergente enseja o entendimento desse fenômeno nos vários níveis de sua análise. No caso do sentido, é importante tentar compreendê-lo como a atribuição de sentido no nível dos processos internos dos agentes. Há muitos trabalhos que procuram explorar essa vertente, sem perder de vista seu aspecto situado. Entre eles, trabalhos como os de Tomasello (2003) e Clark (1992, 1996). Por outro lado, é importante também analisar o fenômeno no nível mais alto, isto é, compreender a atribuição de sentido como uma atividade conjunta e distribuída.
Nas abordagens tradicionais o sentido localiza-se na mente de cada agente cognitivo. Entretanto, numa concepção que privilegie o caráter plástico e negociado do sentido, este pode ser entendido como distribuído na comunidade de agentes em interação com o meio ambiente onde esta tarefa é desenvolvida, ao longo do tempo.

Quem pilota: o piloto ou os instrumentos de vôo?
Cada vez mais dependemos de sistemas automatizados. Quem dirige um carro equipado com freios ABS sabe que quem freia não é ele, mas o ABS. O motorista é o piloto do sistema ABS, o qual obedece ou ignora seus comandos de acordo com seu próprio “julgamento”. Algo parecido acontece na cabine de vôo de um avião comercial moderno. Por mais que isso possa nos deixar preocupados, não é totalmente verdadeiro supor que a equipe de vôo comanda, sozinha, o avião. A complexidade das tarefas envolvidas e o nível de automação existente nos aviões modernos fazem com que os cientistas que estudam a interação entre humanos e computadores tenham desenvolvido formas radicalmente novas de pensar a interação entre pilotos e os instrumentos da cabine de comando. Como veremos, eles pensam que a cognição é distribuída entre os seres humanos que constituem a equipe de vôo e o cockpit , o conjunto de instrumentos destinados a controlar o vôo. Ao estudar tais situações cooperativas estes cientistas lançam luz sobre características da cognição que estão presentes em muitas outras situações.
Vamos examinar uma das tantas situações normais de vôo (ver Hutchins, 1995). O pouso de uma aeronave depende da correta configuração da geometria das asas e da velocidade do avião. É preciso que a velocidade do avião seja baixa o suficiente para permitir o pouso com segurança. Entretanto, para determinadas configurações de asa, uma velocidade muito baixa pode significar a queda do aparelho por falta de sustentação. Portanto, uma tarefa essencial para a tripulação é adequar a configuração de asas à velocidade desejada para o pouso – isto é, uma velocidade baixa o suficiente que ainda permita às asas gerarem a sustentação necessária. Como se consegue isso?
Durante o vôo de cruzeiro, a tripulação dispõe de duas informações: de um lado, a configuração das asas é padrão, permitindo velocidades altas; por outro lado, o manual de vôo estabelece quais as mudanças devem ser introduzidas nessa configuração-padrão para o pouso, de forma que a sustentação seja mantida. Essa última informação é dada por uma tabela que lista as mudanças de configuração em função de limiares decrescentes de velocidade, tendo em vista o peso do avião no momento do pouso (ver Figura 4). Simplificadamente, a tarefa da tripulação é, durante a fase de aproximação da pista de pouso, diminuir a velocidade e alterar simultaneamente a configuração das asas.
Em qualquer momento da aproximação, ambos os membros da tripulação (piloto e co-piloto) têm, cada um à sua frente um dispositivo (Figura 5) que representa duas (ou mais) classes de informação. Primeiro, um ponteiro (preto) indica a velocidade do avião em relação ao ar. Segundo, um conjunto de 4 marcadores deslizantes externos (na figura, representados por 4 marcas negras sólidas, em 128, 155, 177 e 227 nós) indica as velocidades em que alterações de configuração das asas devem ser implementadas. É importante notar que o posicionamento dos marcadores deslizantes foi feito por acordo entre ambos os pilotos (cada um em seu respectivo mostrador) algum tempo antes de se iniciarem os procedimentos de aproximação para pouso. Nesse contexto, a posição de cada um dos marcadores adquire um sentido – a indicação mais clara disso sendo o sentido de perigo associado ao marcador que sinaliza a velocidade mais baixa.
Um segundo dispositivo que marca velocidades é um marcador deslizante interno, conhecido na linguagem da aviação, como salmon (na Figura 5, o marcador próximo à marca de 140 nós). Ele é posicionado pelo computador de bordo, e indica a velocidade que a aeronave deveria ter, em dado instante, em função de vários parâmetros de vôo, como a posição do acelerador, a própria geometria das asas, etc. Esse marcador tem uma forma característica: ele sinaliza, por meio de um pequeno ponteiro, a velocidade correta, e seu tamanho lateral, que recobre cerca de 10 nós, indica os limites inferior e superior da velocidade correta. O manual de vôo especifica que a velocidade real do aparelho não pode diferir em qualquer momento em mais de 5 nós (positiva ou negativamente) do que aquela indicada pelo salmon . A função do co-piloto é, verbalmente, avisar ao piloto quando a velocidade real exceder os 5 nós de diferença. O piloto, nessa circunstância, em geral checa visualmente a velocidade real e a correta, e toma as medidas necessárias para acelerar ou desacelerar o avião. Dessa maneira, a informação verbal do co-piloto adquire um sentido para o piloto. O co-piloto decide alertar sobre desvios de velocidade quando o ponteiro que indica a velocidade real não se posiciona dentro do espaço delimitado pelo tamanho do salmon . Isto é, o processo cognitivo que leva o co-piloto a decidir alertar sobre eventuais desvios de velocidade, neste ponto, não pode ser concebido como um conjunto de cálculos realizados internamente pelo co-piloto, mas sim com uma constatação, quase uma gestalt , da posição do ponteiro em relação ao corpo do salmon . Nesse sentido, esse dispositivo é parte do aparato cognitivo que pousa um avião.
***
No sistema descrito acima, a memória das velocidades é uma propriedade do sistema como um todo: ela emerge da atividade dos pilotos e não é idêntica à memória dos pilotos (Hollan et al., 1999). Os marcadores de velocidade (que representam velocidades) são apenas um dos muitos dispositivos que participam no sistema funcional que dá conta das tarefas de memória. É importante notar que as propriedades dos sistemas funcionais que são mediados por representações externas (como as dos marcadores de velocidade) são diferentes daquelas que utilizam apenas representações internas; elas podem, por essa razão, depender de propriedades físicas do meio representacional externo. Fatores como a persistência da representação e a modalidade sensorial através da qual ela é acessada podem influenciar as propriedades cognitivas do sistema.
O contexto teórico a partir do qual se estuda, por exemplo, a memória das velocidades durante o pouso, toma sistemas cooperativos complexos, e não mentes individuais, como a unidade primitiva de análise. E a teoria que se constrói é explicitamente cognitiva na medida em que diz respeito a como informações são representadas, transformadas e transmitidas através do sistema. Na cabine do avião, a representação das informações é construída de maneira ao mesmo tempo distribuída entre vários dispositivos (alguns internos aos tripulantes e outros externos a eles) e negociada entre os diversos participantes. Não se pode dizer que o sentido das várias representações desse sistema distribuído esteja previamente especificado.
O que distingue, portanto, essa concepção distribuída da cognição é a adesão a dois princípios. O primeiro é postular que nem sempre o indivíduo, ou os processos internos a ele, constitui a unidade correta de análise. Uma visão distribuída da cognição procura pelos processos cognitivos onde quer que eles ocorram, singularizando-os apenas com base nas relações funcionais dos elementos que participam no processo. Um processo não é cognitivo apenas porque tem um cérebro como seu suporte, ou porque envolve vários cérebros. Como vimos acima, sistemas que podem ser caracterizados como sócio-técnicos , como a cabine de um avião, podem ser tomados como unidades cognitivas. O segundo princípio diz respeito aos mecanismos que participam dos processos cognitivos. Os enfoques clássicos tendem a assumir que os eventos cognitivos residem na manipulação de símbolos no interior de agentes. O enfoque distribuído envolve uma classe mais ampla de eventos cognitivos e não supõe que eles estejam limitados ao interior do cérebros de agentes individuais. No caso que mostramos acima, os processos de memória resultam de uma rica interação entre processos internos (aos pilotos), da manipulação de objetos (os marcadores de velocidade, por exemplo) e da troca de informações entre os pilotos. Além disso, as restrições físicas do ambiente fornecem mais do que simples ajuda nos processos de memória como, por exemplo, no caso das correções de velocidade pela observação do dispositivo chamado salmon . As restrições físicas reorganizam o sistema cognitivo distribuído, fazendo uso de diferentes conjuntos de processos internos e externos.
Portanto, há três aspectos distintos a se considerar quando se estuda a distribuição de processos cognitivos:
•  Os processos podem ser distribuídos entre membros de um grupo social;
•  Os processos podem envolver a coordenação entre estruturas internas e externas; e,
•  Os processos podem ser distribuídos no tempo, de forma que os produtos de eventos anteriores podem transformar a natureza de eventos ulteriores.
***
Como vimos mais acima, a relação entre as palavras e seus sentidos tem sido estudada de duas formas. Ou como uma propriedade interna de indivíduos (ou mesmo de organismos), quer definidas de forma inata, ou pelo acúmulo da experiência. Ou como determinações ou possibilidades originárias do ambiente externo onde se movem indivíduos. O pequeno percurso que fizemos através de uma parte da literatura corrente pretendeu revelar uma forma original de abordar o problema da relação entre as palavras e seus sentidos, que pode representar uma oportunidade para ultrapassar a aparente dicotomia das soluções clássicas.
A possibilidade de estudar essas questões através de experimentos em robótica, de modelamento computacional e da etnografia de sistemas cognitivos permite instanciar sistemas compostos por agentes autônomos que precisam criar e negociar sentidos para, coletivamente, desempenhar tarefas. Nesses sistemas é possível, então, estudar com precisão a forma pela qual as co-determinações internas e externas da linguagem se estabelecem.

Referências
Bechtel, W. & Abrahamsen, A. (2002). Connectionism and the mind. Parallel processing, dynamics, and evolution in networks . Oxford: Blackwell.
Chafe, W. (1994). Discourse, Consciousness, and Time, Chicago: University of Chicago Press.
Clark. H. (1992). Arenas of Language Use . Chicago: University of Chicago Press.
_______ (1996). Using language . Cambridge: Cambridge University Press.
Elman (no prelo). An alternative view of the mental lexicon. Trends in Cognitive Science.
Elman, J., Bates, E. A., Johnson, M., Karmiloff-Smith, A., Parisi, D. & Plunkett, K. (1996). Rethinking Innateness: A connectionist perspective on development. Cambridge, Mass.: Bradford .
Hollan, J. D., Hutchins, E. & Kirsh, D. (1999). Distributed Cognition: A New Foundation for Human-Computer Interaction Research … TOCHI Special Issue on Human-Computer Interaction in the New Millennium.
Hutchins, E. (1995). How a cockpit remembers its speeds. Cognitive Science . 19, 265-288.
Langton, C. (1995). Artificial Life: An Overview . Cambridge, MA: The MIT Press.
Mondada, L. & Dubois, D. (1995). Construction des objets de discours et categorization: une approche des processus de référentiacion. In: Berrendonner, A. e Reichler-Béguelin, M-J. (orgs). (1995). Du Syntagme Nominal aux Objets-De-Discours. SN Complexes, Nominalisation, Anaphores . Neuchâtel: Institut de Linguistique de l'Université de Neuchâtel.
Port, R.F. & Van Gelder, T. (orgs.) (1995). Mind as Motion: Explorations in the Dynamics of Cognition . Cambridge, MA: The MIT Press.
Steels, L. and Kaplan, F. and McIntyre, A. and Van Looveren, J. (2002). Crucial factors in the origins of word-meaning. In: Wray, A., et.al. (eds.) (2002). The Transition to Language . Oxford University Press. Oxford.
Steels, L. and McIntyre, A. (1999). Spatially Distributed Naming Games. In: Advances in Complex Systems , vol. 1, nb. 4, pp. 301-323, Paris: Hermes Science Publications.
Tomasello, M. (2003). Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano . São Paulo: Martins Fontes.
Para outros experimentos, igualmente interessantes, veja o site http://www.aibo-europe.com/ .
É interessante notar que esse era também um experimento público. Em Paris, por exemplo, ao final de quatro meses de exposição, trezentas mil pessoas haviam interagido com os robôs.

Read more...

Maurizio Lazzarato: La Machine

Le texte qui suit est l'introduction à l'ouvrage de Gerald Raunig sur théorie des machines qui paraîtra au printemps 2008 dans série "Es kommt darauf an" chez Turia + Kant (cf. aussi http://www.turia.at/titel/raunig_m.html).


Le grand mérité du travail de Gerald Raunig est celui de remettre en circulation le concept de machine tel que Deleuze et Guattari l’ont formulé et le confronter avec la tradition marxiste qui s’exprime de façon la plus novatrice dans le post-opéraisme. Le travail de Gerald montre les recoupements possibles, les continuités, mais laisse aussi entrevoir les discontinuités entre ces deux théories qui se sont développées à des époques sensiblement différentes.

Ici, je voudrais seulement reprendre quelque éléments de la théorie des machines de Deleuze et Guattari et montrer comment elle peut contribuer à une définition du capitalisme contemporain. Les convergences et les différences avec la théorie post-opéraiste émergeront d’elles-mêmes. En interprétant le point de vue de Deleuze et Guattari on pourrait affirmer que le capitalisme n’est pas un "mode de production", n’est pas non plus un système, mais il est à la fois un ensemble de dispositifs d’asservissement machinique et un ensemble de dispositifs d’assujettissement social. Les dispositifs sont des machines, mais, comme le fait remarquer Gerald, à la suite de Deleuze et Guattari, les machines ne dépendent pas de la techne. La machine technologique n’est qu’un cas de machinisme. Il y a des machines techniques, esthétiques, économiques, sociales, etc.

A une machine (technique, sociale, communicationnelle, etc.) on peut être "asservi" et /ou "assujetti". Nous sommes asservie à une machine lorsque nous constituons une pièce, un rouge de la machine, un de ses éléments qui lui permettent de fonctionner. Nous sommes assujettis à la machine lorsque nous sommes constitués un usager de la machine, en sujet d’action qui l’utilise. L’assujettissement agit sur la dimension molaire de l’individu (sa dimension sociale, ses rôles, ses fonctions, ses représentations, ses affections), tandis que l’asservissement machinique agit sur la dimension moléculaire, pré-individuelle , infra-sociale (les affects, les sensations, les désirs, les relations non encore individuées, non assignables à un sujet). Je vais essayer d’exemplifier les caractéristiques des dispositifs d’assujettissement et d’asservissement à travers leur fonctionnement dans la "machine" - télévision.

La constitution du sujet dans la communication et dans le langage

"Qui osérait encore prétendre aujourd’hui, que sa colère soit vraiment sienne,
quand tant de gens se mêlent de lui en parler et de s’y retrouver mieux que lui même?!"[1]
Robert Musil

Le système capitaliste, à travers l’assujettissement social, produit et distribue des rôles et des fonctions, il nous équipe d’une subjectivité et il nous assigne à une individuation spécifique (identité, sexe, profession, nationalité, etc.).

 L’assujettissement, d’une part, nous individue, nous constitue en sujet d’après les exigences du pouvoir, et, d’autre part, il attache chaque individu à une identité "sue et connue", bien déterminée une fois pour toutes.

Comment la télévision produit-elle l’assujettissement? Quel rôle jouent le langage et la communication dans ce processus?

La fonction-sujet dans la communication et dans le langage n’a rien de naturel, elle, doit, au contraire, être construite et imposée. Selon Deleuze et Guattari, le sujet n’est ni condition du langage, ni cause d’énoncé. En réalité, dit Deleuze, ce qui produit les énoncés en chacun de nous, ce n’est pas nous, en tant que sujet, c’est toute autre chose, ce sont les "multiplicités, les masses et les meutes, les peuples et les tribus, les agencements collectifs qui nous traversent, qui nous sont intérieurs et que nous ne connaissons pas". Ce sont eux qui nous font parler, et c’est à partir d’eux que nous produisons des énoncés. Il n’y a pas de sujet, il n’y a que des agencements collectifs d’énonciation producteurs d’énoncés. "L’énoncé est toujours collectif, même lorsque il semble être émis par une singularité solitaire comme celle de l’artiste."[2]

La machine télévisuelle extrait de ces agencements collectifs, de la multiplicité qui nous traverse et nous constitue, un sujet qui se pense et se vit comme cause et origine absolue et individuelle de ses expressions, paroles, affects. La télévision fonctionne à partir d’un petit nombre d’énoncés déjà codifiés qui sont les énoncés de la réalité dominante et d’une série de modalités d’expression préfabriquées, et elle prétend faire de ces énoncés et de ces expressions, les énoncés et les expressions mêmes des sujets individuels. Comment elle s’y prend?

La télévision arrive à faire passer les énoncés conformes à la réalité dominante du capitalisme comme des énoncés des individus, par la mise en place d’une machine d’interprétation de leurs paroles et de leur expression et d’une machine de subjectivation qui fonctionne à partir de la constitution d’un double du sujet. Elle vous incite à parler en tant que sujet d’énonciation, comme si vous étiez la cause et l’origine des énoncés et, au même temps, vous êtes parlé, comme sujet d’énoncé, par la même machine de communication. Si vous êtes interviewé à la télévision (peu importe si dans une émission littéraire ou dans un talk show, où si vous exprimez votre vécu dans un reality show), vous êtes institué comme sujet d’énonciation ("Vous, cher téléspectateur, ou vous, cher invité, qui faites la télévision") et soumis à une machine d’interprétation à plusieurs volets. Tout d’abord, vous passez sous la domination d’une machine non-discursive qui interprète, sélectionne et normalise, avant même que vous commenciez à parler.

La télévision, suivant l’évolution des sciences du langage, de la linguistique à la pragmatique, prend en charge toutes les composantes de l’énonciation, linguistiques et non linguistiques. La télévision ne fonctionne pas seulement à partir d’un petit nombre d’énoncés touts faits, mais aussi à partir de la sélection d’un certain lexique, d’une certaine intonation, d’une certaine vitesse du débit de la parole, d’un certain comportement, d’un certain rythme, d’une certaine gestuelle, d’une certaine façon de s’habiller, d’une certaine distribution des tonalités de couleur, d’un certain cadre dans lequel vous parlez, d’un certain cadrage de l’image, etc. Dès que vous ouvrez la bouche, vous passez sous l’interprétation discursive du journaliste qui, à l’aide de l’expert et du savant, mesure l’écart qui reste encore, éventuellement, entre votre énonciation, votre subjectivation, votre signification et les énoncés, la subjectivation, les significations dominantes. À la fin de l’interview vous êtes un sujet d’énoncé, un effet des sémiotiques de la machine de communication, qui se prend pour un sujet d’énonciation, qui se vit comme la cause et l’origine absolue et individuelle des énoncés, alors qu’il est le résultat d’une machinerie dont il n’est que le terminal.

Votre parole est rabattue sur des énoncés et sur des modalités d’expression qu’on vous impose et qu’on attend de vous et votre réalité mentale est rabattue sur la réalité dominante. Vous vous êtes coulé dans les énoncés et dans les expressions de la machine de communication, sans y prendre garde.

À la télévision vous risquez toujours d’être déjà piégé dans les significations et les subjectivations dominantes, quoi que vous disiez et quoi que vous fassiez. Vous parlez, mais vous risquez de ne rien dire de ce qui vous concerne vraiment. Tous les dispositifs d’énonciation de nos sociétés démocratiques sont de variations plus au moins sophistiquées de ce dédoublement du sujet par lequel le sujet d’énonciation doit se réfléchir dans un sujet d’énoncé: sondages, marketing, élection, représentation politique et syndicale etc. En tant que électeur, vous êtes sollicité à exprimer votre opinion comme sujet d’énonciation, mais, au même temps, vous êtes déjà parlé comme sujet d’énoncé, puisque votre liberté d’expression se limite à choisir entre des possibles déjà codifiés. L’élection, comme les sondages, comme le marketing, comme la représentation syndicale et politique présuppose le consensus et l’accord préalables sur les questions et sur les problèmes sur lesquels on n’a pas demandé votre avis. Plus vous vous exprimez, plus vous parlez, plus vous rentrez dans l’interactivité de la machine de communication, plus vous renoncez à ce que vous aviez à dire, parce que les dispositifs communicationnels vous coupent des vos propres agencements collectifs d’énonciation et qu’ils vous branchent sur d’autres agencements collectifs (la télévision dans ce cas).

L’assujettissement n’est pas une question d’idéologie. Il ne concerne pas spécialement les signes, les langages, la communication, car l’économie est une puissante machine de subjectivation. C’est le capitalisme lui-même qui peut être défini non pas comme un "mode de production", mais comme une machine de subjectivation. Pour Deleuze et Guattari, le capital agit comme un formidable "point de subjectivation constituant tous les hommes en sujets, mais les uns, les ‘capitalistes’, sont comme les sujets d’énonciation […], tandis que les autres, les ‘prolétaires’, sont les sujets d’énoncé, assujettis aux machines techniques"[3].

La transformation du salarié en "capital humain", en entrepreneur de soi-même, telle qu’elle est mise en place par les techniques de management contemporaines, est l’accomplissement du processus de subjectivation et du processus d’exploitation, puisque, ici, c’est le même individu qui se dédouble. D’une part, il porte la subjectivation au paroxysme, puisqu’il implique dans toutes ses activités les ressources "immatérielles" et "cognitives" de son "soi", et d’autre part, il porte à identification subjectivation et exploitation, puisqu’il est à la fois patron de lui-même et esclave de lui-même, capitaliste et prolétaire, sujet d’énonciation et sujet d’énoncé.

L’asservissement machinique

"Asservir dans un sens voisin à celui de la cybernétique, en d’autres
termes, téléguider, mettre en rétroaction et ouvrir à des nouvelles lignes de possibles."
Félix Guattari

La machine-télévision agit aussi en tant que dispositif d’asservissement machinique, en investissant le fonctionnement de base de comportements perceptifs, sensitifs, affectifs, cognitifs, linguistiques et en opérant ainsi sur les ressorts même de la vie et de l’activité humaine.

L’asservissement machinique consiste dans la mobilisation et une modulation des composantes pre-individuelles, pre-cognitives et pre-verbales de la subjectivité, qui fait fonctionner les affects, les perceptions, les sensations non encore individués, non encore assignable à un sujet, etc., comme des pièces, des éléments d’une machine. Alors que l’assujettissement engage des personnes globales, des représentations subjectives molaires aisément manipulables, "l’asservissement machinique agence des éléments infrapersonnels, infrasociaux, en raison d’une économie moléculaire du désir beaucoup plus difficile à tenir au sein des rapports sociaux stratifiés", qui mobilisent des sujets individués. L’asservissement machinique n’est donc pas la même chose que l’assujettissement social. Si ce dernier s’adresse à la dimension molaire, individuée de la subjectivité, le premier active sa dimension moléculaire, pre-individuelle, pre-verbale, pré-sociale.
Dans l’asservissement machinique, nous ne sommes plus des usagers de la télévision, des "sujets" qui se rapportent à elle comme un objet externe. Dans l’asservissement machinique, nous sommes agencés à la telévision et nous fonctionnons comme des composantes du dispositif, comme des éléments d’input / output, comme des simple relais de la télévision, qui font passer et/ou empêchent le passage de l’information, de la communication, des signes. Dans l’asservissement machinique nous faisons littéralement corps avec la machine. Le fonctionemment de l’asservissement machinique ne connaît pas la distinction entre "humain" et non humain, entre sujet et objet, sensible et intelligible.

L’assujettissement social considère les individus et les machines comme des totalités closes sur elles-mêmes (le sujet et l’objet) et trace entre eux des frontières infranchissables. L’asservissement machinique, par contre, considère les individus et les machines comme des multiplicités ouvertes. L’individu et la machine sont des ensembles d’éléments, des affects, des organes, des flux, des fonctions qui sont sur le même plan et que l’on ne peut pas opposer selon les dualismes du sujet / objet, humain / non humain, sensible / intelligible. Les fonctions, organes, forces de l’homme s’agencent avec certaines fonctions, organes, forces de la machine technique et ensemble constituent un agencement.
Selon Guattari il y a un aspect "vivant", une capacité énonciative, une réserve de possibles qui existent dans la machine et que l’on peut découvrir seulement si on s’installe dans cette dimension machinique. La machine n’est pas seulement la totalité des pièces, des éléments qui la composent. "Elle est porteuse d’un facteur d’auto-organisation, de feed-back et d’autoreférence même à l’état mécanique." Elle a un pouvoir: le pouvoir d’ouvrir des processus de création. Ainsi, aussi bizarre que cela puisse paraître pour la tradition de la pensée occidentale, la "subjectivité" se trouve à la fois du côté du sujet et du côté de l’objet. 

La grande force du capitalisme tient à ces deux dispositifs qui fonctionnent comme deux faces de la même medaille, mais c’est l’asservissement machinique qui confère au capitalisme une sorte de toute puissance, puisqu’il passe à travers les rôles, les fonctions et les significations dans lesquels se reconnaissent et s’aliènent les individus. C’est à travers l’asservissement machinique que le capital arrive à mettre au travail les fonctions perceptives, les affects, les comportements inconscients, la dynamique pre-verbale et pre-individuelle et ses composantes intensives, a-temporelles, à-spatiales, a-signifiantes. C’est à travers ces mécanismes qu’il s’empare de charge de désir portée par l’humanité.

Cette partie de la réalité de la "production" capitaliste reste en grand partie invisible. Même la définition de transindividuels n’arrive pas à la saisir, puisqu’il faudrait plutôt parler de transmachiniques, des relations à la fois en deçà et au-delà de la dimension sociale et individuelle. C’est dans ce sens que Deleuze et Guattri parlent de temps machinique, d’une plus-value machinique, d’une production machinique. De toute façon, c’est sur cette base qu’il y a accumulation, production de la valeur et exploitation. Cette partie "invisible" de la production capitaliste est la plus importante et celle que, paradoxalement, la comptabilité de valeur ne prend jamais en compte, celle qui échappe à la mésure.

Selon Félix Guattari, la part d’asservissement machinique qui entre dans le travail humain (ou dans la communication), "n’est jamais quantifiable en tant que telle", puisque elle n’est pas dénombrable. "En revanche l’assujettissement subjectif, l’aliénation sociale inhérente à un poste de travail ou à n’importe quelle fonction sociale l’est parfaitement"; puisque elle est toujours dénombrable. On peut mesurer un temps de présence, un temps d’aliénation sociale d’un sujet, mais pas ce qu’il apporte, d’ailleurs pas en tant que sujet, à dimension machinique. On peut quantifier le travail apparent d’un physicien, son temps d’aliénation sociale, le temps qu’il passe dans son laboratoire, non la valeur machinique des formules qu’il élabore. Le paradoxe de Marx est celui de décrire une production machinique et de la vouloir mesurer par l’assujettissement, avec des temporalités humaines (le temps de travail de l’ouvrier).

La ritournelle ou la production de subjectivité ou la machine abstraite

Les machineries d’asservissement et de subjectivation travaillent sur des relations. Leur action, selon la définition du pouvoir chez Foucault, est une action sur une action possible, une action sur des individus "libres", c’est-à-dire des individus qui peuvent toujours, virtuellement, agir différemment. Ce qui implique non seulement des éventuels échecs dans l’assujettissement, des résultats imprévisibles, l’activation des détournements, des ruses, des résistances des individus, mais aussi la possibilité de processus de subjectivation indépendantes, autonomes. Nous retrouvons ici le troisième concept de machine: la "machine abstraite", dont nous allons exemplifier le fonctionnement toujours à travers la télévision.

Lorsque je regarde la télévision j’existe au carrefour des différents dispositifs: 1. un dispositif que l’on pourrait définir d’asservissement machinique qui ici peut être représenté par la "fascination perceptive provoqué par le balayage lumineux de l’appareil"[4], qui peut s’agencer avec des intensités, des temporalités, des affects du corps, du cerveaux, de la mémoire qui me traversent et qui constituent ma dimension pre-individuelle, moléculaire; 2. d’un rapport de capture avec le contenu narratif qui mobilise mes représentations, mes sentiments, mes habitudes en tant que sujet (ma dimension molaire); 3. d’un monde des fantasmes conscients et inconscients habitants ma revérie…

Malgré la diversité des composantes d’assujettissement et d’asservissement, malgré la diversité des matières d’expression et des substances d’énonciation linguistiques et machiniques, discursives et non-discursives qui me traversent, je conserve un sentiment relatif d’unicité et de clôture, de parachèvement. Ce sentiment d’unité et de parachèvement est donné par ce que Deleuze et Guattari appellent une ritournelle. De cet ensemble de dispositifs se détache un "motif", une ritournelle qui fonctionne comme un "attracteur". "Les différentes composantes conservent leur hétérogénéité, mais sont captées cependant par une ritournelle"[5] qui les fait tenir ensemble.

La ritournelle nous renvoie aux techniques de production de subjectivité, de "rapport à soi" de Michel Foucault. Des relations de pouvoir et de savoir se détachent des processus de subjectivation qui leur échappent. La ritournelle est la condition de fonctionnement de la "machine abstraite", qui, en dépit de son nom, est la machine la plus singulière, celle qui arrive à fonctionner transversalement à ces différents niveaux, à leur donner une consistance non seulement cognitive ou esthétique, mais d’abord existentielle. La machine abstraite agence des éléments matériels et sémiotiques, mais à partir d’un point qui est non-discursif, d’un point innommable et irracontable, puisqu’elle touche au foyer de non-discursivité qui est au cœur de la discursivité. Elle opère une mutation subjective, en faisant franchir de seuils existentiels.

Guattari décrit de cette façon la "machine abstraite" Debussy: "C’est une énonciation, une coupure, une sorte de foyer non discursif. Il y a non seulement la dimension musicale, mais aussi des dimensions adjacentes, plastiques, littéraires, sociales (le salon, le nationalisme), etc. C’est donc un univers hétérogène avec des composantes multiples. De cette constellation des univers, de mondes se détache un 'énonciateur' qui les fait tenir ensemble d’une nouvelle manière."

Il y a dans la ritournelle, dans le rapport à soi, dans la production de la subjectivité, la possibilité de jouer l’événement, il y a la possibilité de se soustraire à la production sérialisée et standardisée de la subjectivité. Mais cette possibilité, il faut la construire. Les possibles, il faut les créer. C’est dans ce sens que va le "paradigme esthétique" de Guattari: construire les dispositifs politiques, économiques et esthétiques où cette mutation existentielle puisse être expérimentée. Une politique de l’expérimentation et pas de la représentation.


[1] R. Musil, Der Mann ohne Eigenschaften I. Erstes und zweites Buch, Reinbek bei Hamburg: Rowohlt 202005, p. 150.
[2] G. Deleuze / F. Guattari, Kafka. Pour une littérature mineure. Paris: Les èditions de Minuit 1975, p. 149.
[3] G. Deleuze / F. Guattari, Mille Plateaux. Capitalisme et Schizophrénie II, Paris: Editions de Minuit 1980, p. 571.
[4] F. Guattari, Chaosmose, Paris: Galilée 1992, p. 32.
[5] F. Guattari, Chaosmose, Paris: Galilée 1992, p. 33.

Read more...

Interview with Bruno Latour: ‘I would define politics as the composition of a common world'

(Source: The Hindu, January 4, 2011Bruno Latour is one of France's most innovative, provocative and stimulating thinkers and social anthropologists. Given French Cartesian orthodoxy, it is not surprising that he is more appreciated in the Anglo-Saxon world, where his books such as “We Have Never Been Modern” (1993) are better known than in his native France. Jon Thompson, the publisher and chief editor of Polity Press, London, described him as France's most original and interesting thinker and in 2007, Bruno Latour was listed as the 10th most-cited intellectual in the humanities and social sciences by The Times Higher Education Guide.
 
Mr. Latour's seminal work has been in the field of Science and Technology Studies. With his “Actor Network Theory” he has advanced the notion that the objects of scientific study are socially constructed within the laboratory. Thus scientific activity is viewed as a system of beliefs, oral traditions and culturally specific practices, reconstructed, not as a procedure or as a set of principles but as a culture. Mr. Latour will be in India this week conducting workshops in New Delhi. In this exclusive interview with The Hindu's Vaiju Naravane in Paris, he discusses the new challenges facing humanity and of India's role in the climate debate.
 
I wish to start this interview with a discussion of one of your most famous books — “We Have Never Been Modern”. Could you explain what you meant by that? What made you write this book and where do you go now?
 
The Great Narrative of the Western definition of the world was based on a certain idea of Science and Technology and once we began, 30 or 40 years ago to study the practices of the making of science and technology, we realised that this definition could not sustain the old idea of western rationality taking, in a way the place of archaic attachment to the past. 

The Great Narrative was based on the idea of Science which was largely mythical. Science has always been linked to the other cultures of the Western World, although it has always described itself as apart — separated from politics, values, religion and so on. But when you begin to work on a history of Science — Galileo, Newton, Pasteur, Einstein, Kantor or whoever, you find on the contrary, that things have never been severed, that there has always been a continuous re-connection with the rest of cultures and especially with the rest of politics. 

So until the end of the 20th century the western Great Narrative was caught in a contradiction between its practice which was constant attachment between Science and Culture and its official description of itself as being rational, objective, separate, as being universal in that it operated everywhere in the same way. Now what is interesting from the Indian perspective is that the whole discourse about modernising or not modernising, about progressing or not progressing, between being archaic or not, was based on the baseline shibboleth provided by this idea of modernisation. Now if you change this baseline and if modernisation is not what has been going on in the so-called West, the “we” of We Have Never Been Modern, then it opens up many new conversations between the former modernising and the former modernised. And of course this fits very well with the large body of literature, mainly from India on post-colonial studies. 

I would like to refer to a recent essay of yours in which you say and I quote: “… the meteorologists don't agree with the chemists; they are talking about cyclical fluctuations unrelated to human activity. … The horizons, the stakes, the time frames, the actors — none of these is commensurable and yet, there they are, caught up in the same story…” So what is going on in this debate over climate change and what happens to the role of governments?
 
On governments the question becomes complicated because we are now talking about the politics of Nature and that's a rather new quandary. Nature was not supposed to be part of anything — it was supposed to be out there. Not in the ancient tradition where there was no separation to begin with between Nature and society but now, when we have returned to a most interesting position, where Nature is back in politics. However, Nature is not able to unify the discussion so far because people are entering into controversies about Nature. And these controversies cannot be quashed by saying — you are not a scientist or you are not the government or from the West or whatever, and this is a very new arena for politics as well as for scientists and citizens. And that is the new area I am trying to map, so to speak. But no one has answers for that. No one has ever had to bring the climate into parliament! We are struggling collectively and India again is very important here because of its new role in Cancun and the climate debate. 

In New Delhi you are holding talks with ecologists, engineers who develop digital technologies with social science applications and those engaged in both the climate change and globalisation debate from the emerging countries' point of view. Where do you think the meeting ground lies?
 
The responses have to be issue-specific, of course. But the first thing is to have a meeting ground which is defined neither by the need of Nature, as if Nature was able to exist universally and outside politics, nor by defining it only by market forces, although market forces have to be defined and organised as well. So it's more of a negative common ground, I would say. Do we agree that the problem cannot be solved by other than composing a common world? The composition of a common world would be the definition of politics. 

You are one of France's most original, stimulating and provocative thinkers and yet, you are much better known and better appreciated outside France. Do you think this has to do with France's rigid Cartesian mindset and orthodoxy? 
 
In France there is a specific reason. Science and Modernisation have been so entangled from the time of the French Revolution that it is difficult in here to reopen this question of universality, science, colonial expansion and so on without entering into many, many delicate and “hot” issues about identities. So the French identity has largely been based on a certain idea of Science and expansion and all these questions are now being debated and put into jeopardy. Everything here hinges on a certain idea of science and it's an idea of science that I am tackling and they don't like that too much! Of course there is the same discourse in India where attacking Science and Technology is considered reactionary and so forth. So the idea that there is no other alternative, that is, if you do not talk about Science and Technology in a “progress” mode, you are a reactionary is the same everywhere. In India, France or America, the same temptation is there. That is now changing because of the ecology crisis. 

You have been working on the idea of eco-theology. Could you talk about that?
 
Given that we have to look for alternatives to the politics of Nature, I was interested in seeing if there is in the old tradition of Christian theology – I don't know enough about Indian tradition — about respect for Creation. Not about Nature but respect for Creation. And it happens that in the Orthodox Christian tradition of Central and Eastern Europe there is a large body of theological work around the question of Creation. My interest is that there is a disconnect between the science and the size of the threat that people mention about Nature, the planet and the climate and the emotion that this triggers. So we are supposed to be extremely frightened people, but despite that we appear to sleep pretty well. So either the threat is not that strong, or we have not built the kind of emotion we have built for war, for religious conflict and all sorts of other issues which make us very emotive. 

Or that our fright is so great that it has numbed us …
 
That's also a very clear possibility and that's not a very good attitude either, nonetheless. That's why I'm interested in seeing and checking if there is in religious tradition where you fathom this question about emotion about Creation. And again, India is a very interesting place for that. 

Read more...

The Harvard classics. Edited by Charles W. Eliot

The Harvard Classics, originally known as Dr. Eliot's Five Foot Shelf, is a 51-volume anthology of classic works from world literature, compiled and edited by Harvard University president Charles W. Eliot and first published in 1909. The most comprehensive and well-researched anthology of all time comprises both the 50-volume "5-foot shelf of books" and the the 20-volume Shelf of Fiction. Together they cover every major literary figure, philosopher, religion, folklore and historical subject through the twentieth century.n 1910, Dr. Charles W. Eliot, then President of Harvard University, put together an extraordinary library of "all the books needed for a real education."


archive.orghttp://archive.org/details/harvardclassics

Read more...

Frédéric Gros: "La marche est un authentique exercice spirituel"

LE MONDE | Par Nicolas Truong (Entretien)


Professeur de philosophie politique à l'université Paris-XII et à l'Institut d'études politiques de Paris, spécialiste de l'oeuvre de Michel Foucault, Frédéric Gros a écrit un livre intitulé "Marcher, une philosophie" (Carnet Nord, 2009).

Suffit-il de mettre des chaussures de randonnée et de se mettre en marche pour aussitôt se transformer en philosophe ?
Malheureusement ou heureusement, ce n'est ni aussi facile ni aussi automatique. Pour devenir philosophe, philosophe "professionnel" - pour peu que cette expression ait un sens -, on doit sans doute préférer les lectures patientes, les discussions contradictoires, la composition de dissertations ou la construction de démonstrations. Mais en marchant, surtout s'il s'agit de randonnées qui s'étalent sur plusieurs jours, il est impossible de ne pas éprouver un certain nombre d'émotions, de ne pas faire l'expérience de certaines dimensions, qui précisément sont d'une très grande richesse et constituent des objets de pensée précieux pour la philosophie.

Read more...

Thoreau: Life without Principle (1854/1863)

http://i586.photobucket.com/albums/ss306/myopicpoet/Poets%20II/HenryDavidThoreau.jpg"Life without Principle" originated as "What Shall it Profit," a lecture delivered at Railroad Hall in Providence, Rhode Island, December 6, 1854, four more times in Massachusetts in 1855, and once in New Jersey in 1856. This version was edited by Thoreau for publication before he died, and published in the Atlantic Monthly in 1863, where it received its modern title.


 Serial: The Atlantic Monthly Volume 0012 Issue 71 (September 1863)
Title: Life without Principle  [pp. 484-495]
Author: Thoreau, H. D.
 
"Let us consider the way in which we spend our lives..."

Read more...

Mercado é coisa da sua cabeça

Diego Viana, Valor Economico, 9/12/2011

O vocabulário dos economistas começa a ganhar novos termos, na tentativa de explicar as flutuações dos mercados e o comportamento dos investidores. Oxitocina e testosterona, mesencéfalo e córtex frontal orbital, palavras recorrentes na linguagem dos neurocientistas, começam a circular entre um grupo de pesquisadores ainda pequeno, mas em expansão: os neuroeconomistas.

Read more...

Lorem Ipsum

"All testing, all confirmation and disconfirmation of a hypothesis takes place already within a system. And this system is not a more or less arbitrary and doubtful point of departure for all our arguments; no it belongs to the essence of what we call an argument. The system is not so much the point of departure, as the element in which our arguments have their life."
- Wittgenstein

Lorem Ipsum

"Le poète ne retient pas ce qu’il découvre ; l’ayant transcrit, le perd bientôt. En cela réside sa nouveauté, son infini et son péril"

René Char, La Bibliothèque est en feu (1956)


  © Blogger template Shush by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP