Arianna Bove: A critical ontology of the present: Foucault and the task of our times
Thesis of Arianna Bove, online.
Read more...Links and references (first editions, books, papers, classics)
Thesis of Arianna Bove, online.
Read more...
|
| Foto: Éric Brochu |
Esta entrevista foi realizada a 10 de novembro de 1998 (fonte: Scielo). A rapidez e a gentileza com que Lévi-Strauss respondeu à consulta feita pelo Departamento de Antropologia quanto à possibilidade de realizá-la, confirmaram informações de várias pessoas que já o conheciam pessoalmente: de fato, é muito disposto e receptivo. Recebeu-me em seu escritório no Laboratório de Antropologia Social, onde continua indo, religiosamente, duas vezes por semana.
Também vários entrevistadores haviam mencionado a extrema cortesia de seus gestos e palavras, e o bom humor, que às vezes irrompe, inesperado, no riso discreto (como quando eu lhe disse que tínhamos a honra de considerá-lo como um "herói civilizador"...). Também já tinha sido comentada a precisão das palavras, as respostas exatas, claras, bem construídas. No mês em que completaria 90 anos, Claude Lévi-Strauss mantinha intacta a limpidez do raciocínio, sendo inclusive capaz de retomar frases no mesmo ponto em que as deixara, depois de inserir comentários, observações ou precisões. Fala com carinho da juventude, anima-se com a lembrança das expedições, mas reluta em falar do presente. As palavras em itálico, em suas respostas, são as que ele disse em português.
| * | |
| * | * |
Beatriz: No início do "Prólogo" a Saudades do Brasil o senhor se refere a uma memória olfativa das expedições pelo interior. De que outros odores o senhor se lembra?
Beatriz: E quais seriam esses "odores do Brasil"?
Beatriz: O senhor gostava de pinga?
Beatriz: Durante as expedições, o senhor comia como os brasileiros, como a população regional?
Beatriz: O senhor era bom caçador?
Beatriz: No ano anterior a essas expedições, o senhor deu aulas na então recém-criada Universidade de São Paulo, integrando a segunda leva de professores estrangeiros. O que significam hoje para o senhor os laços com a Universidade de São Paulo?
Beatriz: A idéia de viajar para tão longe era, em si, atraente?
Beatriz: Apesar da famosa declaração de Tristes trópicos ["Odeio as viagens e os exploradores."], o senhor gostava, então, de viajar?
Beatriz: O fato de o Brasil ser, desde o século XVI, uma destinação, digamos, privilegiada pelos franceses, fazia alguma diferença?
Beatriz: Thevet e Léry, o senhor dizia, não constavam do programa. Mas Montaigne sim…
Beatriz: O Brasil era, então, de certo modo, mais próximo do que outras regiões…
Beatriz: Os Tupi, justamente, forneceram à Europa os elementos básicos para a construção do Selvagem. Bom ou mau, é o ameríndio que, desde então, figura como o selvagem: o que explicaria o fato de serem os ameríndios os Outros por excelência do pensamento europeu?
Beatriz: Nenhuma outra razão explicaria sua permanência nesse papel, até hoje?
Beatriz: Razões históricas, portanto, ou "acasos objetivos", como o senhor disse há pouco… os americanistas não teriam contribuído para a permanência dessa imagem, no modo como apresentam as culturas ameríndias?
Beatriz: O senhor já disse, em várias entrevistas, que optou pela etnologia como reação contra a escola sociológica francesa, contra Durkheim, especificamente. Gostaria de pedir-lhe que falasse, mais uma vez, dessa relação…
Beatriz: Mauss teve uma influência especial?
Beatriz: Os autores anglo-americanos que o senhor mencionou há pouco….
Beatriz: E tudo isso o levou à etnologia…
Beatriz: Ver de perto, para ver de longe…O olhar distanciado que, segundo o senhor, caracteriza o antropólogo, é algo que se aprende, que se constrói? É vocação ou treinamento?
Beatriz: Se esse olhar é indispensável para fazer antropologia, é melhor que seja uma vocação?
Lévi-Strauss: "Eu não trabalhava exatamente com fichas de mitos, esse é meu modo de trabalhar em geral. Faço muitas fichas. Meus ficheiros estão em casa, não tenho nenhuma ficha aqui… Mas não há nada de especial em minhas fichas. Algumas contêm referências, outras uma ou várias frases que li num livro e que chamaram minha atenção, ou uma idéia que tive e transcrevi numa ficha. Podem ser acerca de mitos, ou de livros, podem ser acerca de um objeto que vi, ou de uma idéia que me ocorreu. Em relação aos mitos, podem conter versões completas, às vezes há páginas dobradas no formato de uma ficha, colocadas nos ficheiros, às vezes são resumos... Nada de organizado.
Beatriz: Não se pode então falar num método de fazer fichas, ou de utilizá-las…
Beatriz: Mas a redação das Mitológicas terá exigido muita disciplina, sem dúvida.
Beatriz: História de Lince, o último, pode ser considerado como uma espécie de balanço de todo o trajeto das Mitológicas?
Beatriz: Qual é seu ritmo de trabalho, atualmente?
Beatriz: Pena!
Lévi-Strauss: "Sim, escrevo e leio… muito menos…"
Beatriz: O que o senhor lê?
Beatriz: O senhor contou, certa vez, que lia regularmente revistas científicas, acompanhando o que se faz nas ciências exatas e biológicas — que, aliás, forneceram imagens muito poderosas à sua obra. O senhor continua lendo essas revistas?
Beatriz: As pesquisas arqueológicas e paleontológicas têm mostrado uma história do continente americano cada vez mais complexa. Certa vez, comparando seu trabalho ao de Dumézil, o senhor disse que, de certo modo ao contrário dele, que tratava de demonstrar uma história comum que não era dada, o senhor partia de uma unidade da América que lhe era dada pela história…
Lévi-Strauss: "Sim, creio que a cultura francesa está muito ameaçada... continua muito ameaçada…"
Beatriz: A ponto de correr o risco de desaparecer?
Beatriz: Seria possível definir os princípios dessa cultura francesa?
Beatriz: E as culturas ameríndias, estão condenadas?
Beatriz: Já em Raça e História (1961) o senhor alertava para a necessidade de preservar a diversidade das culturas humanas e para a importância do intercâmbio cultural. Posteriormente, demonstrou diversas vezes o temor de que um "excesso de comunicação" pudesse levar a uma homogeneização paralisante. Apesar de tudo, não lhe parece que as culturas humanas têm demonstrado uma grande vitalidade no sentido de criar diferenças?
Beatriz: Que mensagem o senhor enviaria aos antropólogos brasileiros?
Aos jovens antropólogos brasileiros, eu diria — mas não preciso dizer-lhes isso, seu exemplo o demonstra — que não esqueçam a etnologia tal como é praticada desde o seu nascimento. Numa época em que, seja na Inglaterra, nos Estados Unidos ou na França, se percebe um certo desânimo entre os jovens, que precisam encontrar novos objetos — ou sujeitos, se preferirem falar nesses termos — porque aqueles que estudavam tradicionalmente não existem mais, ou se transformam rápido demais, felizmente, no Brasil, a grande etnologia ainda existe... e desejo que continue existindo por muito tempo".
| * | |
| * | * |
Depois de encerrada a entrevista, notei ao meu lado algo que me parecia uma árvore em miniatura, cujas folhas eram pedacinhos de papel com anotações, colados em "galhos" revirados e perfeitamente simétricos. Olhei mais de perto, e percebi que o objeto, protegido por uma redoma de vidro (foto), é a estrutura, em três dimensões, de um grupo de mitos, cuja representação gráfica se encontra à página 81 de L’origine des manières de table (Mitológicas III). A própria página, unida à página 80 do livro, constitui um "fundo" para a "árvore" de mitos, dentro da redoma (reproduzidas a seguir a partir da 1ª edição, de L'origine des manières de table, Paris, Plon, 1968). Evidentemente fascinada pelo objeto, perguntei a Lévi-Strauss se costumava construir assim estruturas míticas. Respondeu-me que sim, que as construia conforme as percebia nos mitos, com os pedaços de papel, barbante, tesoura e cola que sempre tinha à mão. Alguns desses objetos, continuou, "eram como móbiles à la Calder", e ficavam pendurados pelo laboratório de antropologia. Mas eram muito frágeis, e logo se destruíram. Finalmente, tinha sobrado apenas aquela. "Mas então o senhor é um bricoleur também no sentido primeiro do termo [que remete, como se sabe, a trabalhos manuais]?" Sorrindo, respondeu-me que sim, gostava de usar as mãos para construir coisas desde a infância…
| Fotografia: Éric Brochu |
Resources, outlines, texts and Courseworks in several subjects:
Genealogies of Postmodernity; Foucault; Deleuze/Guattari; Derrida; Kant; Women's & Gender Studies; Western Civilization [link]Read more...
Vous pouvez voir que pour cette première communication dite « scientifique » de notre nouvelle Société, j’ai pris un titre qui ne manque pas d’ambition. Aussi bien commencerai-je d’abord par m’en excuser, vous priant de considérer cette communication dite scientifique, plutôt comme, à la fois, un résumé de points de vue que ceux qui sont ici, ses élèves, connaissent bien, avec lesquels ils sont familiarisés depuis déjà deux ans par son enseignement, et aussi comme une sorte de préface ou d’introduction à une certaine orientation d’étude de la psychanalyse.
En effet, je crois que le retour aux textes freudiens qui ont fait l’objet de mon enseignement depuis deux ans, m’a – ou plutôt, nous a, à tous qui avons travaillé ensemble, donné l’idée toujours plus certaine qu’il n’y a pas de prise plus totale de la réalité humaine que celle qui est faite par l’expérience freudienne et qu’on ne peut s’empêcher de retourner aux sources et à appréhender ces textes vraiment en tous les sens du mot. On ne peut pas s’empêcher de penser que la théorie de la psychanalyse (et en même temps la technique qui ne forment qu’une seule et même chose) n’ait subi une sorte de rétrécissement, et à vrai dire de dégradation. C’est qu’en effet, il n’est pas facile de se maintenir au niveau d’une telle plénitude. Par exemple, un texte comme celui de « L’homme aux loups », je pensais le prendre ce soir pour base et pour exemple de ce que j’ai à vous exposer. Mais j’en ai fait toute la journée d’hier une relecture complète ; j’avais fait là-dessus un séminaire l’année dernière. Et j’ai eu tout simplement qu’il était tout à fait impossible ici de vous en donner une idée, même approximative ; et que mon séminaire de l’année dernière, je n’avais qu’une chose à faire : le refaire l’année prochaine.
Review of the new anglophone translation, by Colin Gordon
Read more...'Work: that which is capable of introducing a significant difference in the field of knowledge, at the cost of certain pains for the author and reader, and with the possible reward of a certain pleasure, namely that of access to another figure of truth'. Michel Foucault's close friend and insightful commentator Paul Veyne recently published, at the age of 75, what may be his magnum opus, L'Empire Greco-Romain. The book is published in a series of which Veyne and Foucault were founding editors, entitled 'Des travaux' (lamely translatable as 'Works'). The motto of the series, cited above, was surely written by Foucault. History of Madness, the book which made Foucault's name and career, written as a doctoral thesis and published in 1961 when he was 34, certainly qualifies as a 'work' in all the designated respects.That Histoire de la Folie has at last been translated in full, in the year of what would have been Foucault's 80th birthday, is, of course, much to be welcomed. So as to duly celebrate the occasion, we can perhaps leave aside the question of why it has taken so long, how far through the obstruction or negligence of publishers and heirs, how far through the indifference of English-language historians and commentators long content to dismiss or marginalise a work they had never found it necessary to read in full. The English historian Roy Porter, for one, pronounced, towards the end of his own life, that Foucault had been the greatest of historians of psychiatry -- but only, it has to be said, after he had previously indulged at length in cursory caricature of Foucault's work.
There have been four editions of this book in France. The original edition published by Plon in 1961 was titled Folie et Déraison. Histoire de la Folie à l'Age Classique. The second (1963) was heavily abridged for the 10/18 budget paperback series, which in slightly augmented form was translated by Richard Howard in 1965 as Madness and Civilisation. The three unabridged French editions contain identical main texts with differing prefaces and appendices. For the republication by Gallimard in 1972, Foucault shortened the title to Histoire de la Folie à l'Age Classique, suppressed his 1961 preface, and supplied a short new preface explaining the suppression. This edition included two new appendices, a short paper published in 1964 and a response to a critique by Jacques Derrida. The appendices were in turn omitted from the Gallimard Tel edition published in 1976. This English edition contains both prefaces and both appendices, and adds for good documentary measure another reply to Derrida, never included in any French edition, and a facsimile of R.D. Laing's enthusiastic reader's report for the 1965 English translation. There are also some sombre black and white plates of works by Bosch, Dürer, Hogarth, Goya and Fleury, which I think appeared only in the 1961 French edition. Foucault may later have come to view his controversy with Derrida as a storm in a teacup, and Derrida may have come to agree. It is excellent, however, to have the 1961 preface once again available: for its careful balancing of affective engagement and methodological scruple; for the libertarian passion of the closing quotation from René Char's Partage formel: 'A new mystery sings in your bones. Cultivate your legitimate strangeness'; for the proposal of 'a history of limits -- of those obscure gestures . . . through which a culture rejects something which for it will be the Exterior'; and, within the discussion of these 'limit-experiences', for the paragraph which inspired Edward Said: 'In the universality of the Western ratio, there is this division which is the Orient . . . ' [1]. It would be worth investigating whether Foucault's sketch for a comparative historical sociology of social limits and exclusions may have also influenced the current of governmental thinking which a generation later made 'social exclusion' a primary theme of social and urban policy, in France and then in Britain.
Another reason why it is useful to have this Preface once again available is because it shows how crassly Derrida, apart from his challenge to Foucault's reading of Descartes' Meditations and his charges of intellectual terrorism and violence and of an 'act of internment' which 'renders all straightjackets possible', misrepresents the stated project of Foucault's book.[2] Foucault's 1961 preface says that he would have liked to write a history of 'madness itself, in all its vivacity, before it is captured by knowledge', but that this is for more than one reason impossible, and that he therefore proposes to do something else. Derrida states that the 1961 preface proposes to undertake a history of 'madness itself'. Subsequent readers who have not had access to the preface have in some cases credulously accepted this falsehood (at one point even Foucault himself seems to have believed it), despite the evidence of the book, which contains not a word about 'madness itself'. Regrettably, Ian Hacking repeats Derrida's falsehood in his Foreword to this edition.
Complete text here
Post-Poster-the-historian and other Historical Questions
Interview with Mark Poster conducted by Tama Leaver and Kate Riley (pdf file)
In September 2004, Professor Mark Poster of the University of California, Irvine, visited The University of Western Australia as resident Professor-at-Large in the Institute for Advanced Studies. Professor Poster is a member of the History Department, the Film Studies Program and the Critical Theory Emphasis at Irvine and during his time in Western Australia he kindly took time to answer a broad range of questions for Limina.
This book is intended as a set of essays examining the value of the recent works of Michel Foucault for social theory and social history. Foucault's works written since 1968 (Discipline and Punish, The History of Sexuality and numerous shorter pieces) contain some important advances in social theory and in the writing of social history. My purpose is to separate out those advances from other features of Foucault's thought which I find less beneficial. I am not attempting to give an assessment of Foucault's work as a whole but to focus on and analyze certain features of it.
To that end I situate Foucault's work in a double problematic: those of critical social theory and a new social formation that I call the mode of information. Although Foucault's politics may be ambiguous, his works are profitably situated in relation to critical theory. He provides, I will argue, models of analysis that contain theoretical elements which, properly interpreted, open up new directions for critical theory, directions that can lead it out of its current impasses. But these new directions only become apparent when certain important changes in the social formation of advanced trial society are recognized. To that end I have coined the somewhat infelicitous phrase 'mode of information' to represent these changes and to contrast the current situation to Marx's concept of the mode of production.
'Extinct Monsters; a Popular Account of Some of the Larger Forms of Ancient Animal Life'
on BibliOdyssey
La question de l’éventuelle singularité d’un « moment néoplatonicien » dans le cours que Michel Foucault a consacré à ce qu’il appelle « L’Herméneutique du sujet », pour qui parcourt le texte publié sous ce titre dans son entier, s’avère être une double question1. Son application première consiste à demander s’il y a une singularité (et si oui laquelle) du néoplatonisme à l’intérieur de l’histoire du sujet que reconstitue, ou plus exactement que constitue, en en déchiffrant certains figures, Foucault dans son cours de 1982. Singularité qui doit être appréciée à la fois par rapport au platonisme ou à Platon (en quoi le moment néoplatonicien n’est-il pas réductible à Platon, notamment à l’Alcibiade ?), et par rapport au mouvement général de L’Herméneutique du sujet (quel rôle particulier joue le moment néoplatonicien dans l’économie générale du cours ?). Mais la question reçoit aussi une seconde acception, qui doit être bien distinguée de la première notamment parce qu’elle n’engage probablement pas le même néoplatonisme. C’est la question de la singularité du néoplatonisme, ou d’un certain néoplatonisme, par rapport au projet que conduit L’Herméneutique du sujet – non plus dans ce projet, mais par confrontation à ce projet, voire à la marge de la forme qu’il a prise dans L’Herméneutique du sujet. Cette double application de la question ici posée dessine le trajet que je voudrais parcourir en lisant L’Herméneutique du sujet – un trajet qui va d’un néoplatonisme singulier par la place qu’il occupe dans L’Herméneutique du sujet à un néoplatonisme singulier par la place qu’il n’y occupe pas.
"Le poète ne retient pas ce qu’il découvre ; l’ayant transcrit, le perd bientôt. En cela réside sa nouveauté, son infini et son péril"
René Char, La Bibliothèque est en feu (1956)
© Blogger template Shush by Ourblogtemplates.com 2009
Back to TOP