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uma tradução

Certa vez eu dava aula em um curso de Humanas e me deparei com uma tradução mal feita. O assunto, importante naquela área, continha poucos títulos em português do autor principal. O autor era alemão, mas muitas das poucas traduções em português eram vertidas do inglês.

Aquela, em especial, além de ser mal traduzida do inglês, não verificou o próprio original em alemão. O original em alemão continha 65 páginas, e a versão em inglês umas vinte e poucas. Além disso, a própria tradução do inglês continha palavras erradas e omissão de trechos. Boa parte do artigo não havia sido traduzido, e a parte traduzida também omitia partes importantes, às vezes simplesmente cortando frases e adulterando o contexto.

Mas aquele texto famoso era o único disponível da espécie em português.

Então fui conversar com um colega, apontando os erros e mostrando meu espanto sobre como um texto tão importante poderia ter tantos problemas.

A resposta me surpreendeu mais ainda do que o texto. O colega me disse que aquele era um curso de graduação, e que tais coisas deveriam ser tratadas na pós. Disse, ainda, que esse tipo de tom era de quem insistiria em mudar coisas na graduação, quando o espaço para mudanças não era ali, e sim na pós. Também disse que "essas coisas de filósofo" mostram claramente o tipo de profissional que se aventura em áreas alheias.

O original em alemão permanece intocável.

(fonte da foto)

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"All testing, all confirmation and disconfirmation of a hypothesis takes place already within a system. And this system is not a more or less arbitrary and doubtful point of departure for all our arguments; no it belongs to the essence of what we call an argument. The system is not so much the point of departure, as the element in which our arguments have their life."
- Wittgenstein

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"Le poète ne retient pas ce qu’il découvre ; l’ayant transcrit, le perd bientôt. En cela réside sa nouveauté, son infini et son péril"

René Char, La Bibliothèque est en feu (1956)


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